Os desafios de ser Plus Size na terra da rainha

Os desafios de ser Plus Size na terra da rainha

 

Estou vivendo em Londres há alguns meses, e como algumas já me conhecem, sou uma mulher considerada tamanho Plus Size, por vestir manequim acima do considerado “padrão” pela nossa sociedade, que, diga-se de passagem, continua bem preconceituosa com as diferenças. Minha experiência com moda em Londres, de certa forma, tem sido relativamente satisfatória. Mas, pra falar a verdade, acredito que isso aconteça porque meu manequim varia entre os tamanhos 16’ e 18’. Penso que as amigas que estão acima de mim talvez não concordem comigo. A maioria dos estilistas e costureiros ainda continua com a mentalidade de que nós, gordinhas, não devemos usar os mesmos modelos de roupas que as magras usam. Se formos entrar nessa linha de discussão, vou acabar me prolongando muito. E esse não é o meu objetivo. 

Numa tarde dedicada a passear pelas lojas de Londres e experimentar roupas, cheguei a muitas conclusões. O que foi bastante útil para mim, pois agora poderei fazer minhas compras de forma mais diretiva e eficaz, o que não significa 100% de satisfação. Sorry!

Começando pela Fast Fashion mais popular, nossa queridinha “Primark”, posso dizer que fiquei bem satisfeita. Os jeans geralmente vão até o tamanho 20’, incluindo peças sem stretch (pasmem!) e também aqueles modelos “destroyed”. Que maravilha, não? Além de um preço bem acessível. Não vem ao caso discutir qualidade neste momento, pois não podemos esperar muito de uma peça que custa no máximo 15 libras. É a perfeita relação custo-benefício. As blusas também não deixam a desejar em tamanho, e se garimpar bastante, você vai conseguir encontrar algo parecido com você, basta dedicar tempo e paciência. 

Na H&M não fui muito feliz. As blusas geralmente só vão até o manequim 14’ e, às vezes, 16’. A mesma conclusão serve para os jeans, calças sociais e saias. Fiquei bem triste, pois lá consegui ver peças mais elaboradas e diferentes, bem parecidas com meu estilo. Mas não achei quase nada que coubesse em mim, me deixando confortável para sentar, levantar e mover os braços. Os tamanho e cortes não são democráticos, dentro do meu ponto de vista. E é uma pena, pois as peças lá são bem a minha cara.

Agora vou falar de uma das minhas maiores frustrações: a Zara. Tenho uma paixão recolhida pelos vestidos de lá. Mas nunca, em nenhuma situação, achei algo que caísse bem em mim. Definitivamente, a Zara é uma loja para pessoas magras. Sinto uma “leve inveja” quando vejo aquelas promoções malucas, onde as mulheres se fartam de comprar peças por menos da metade do preço, calças maravilhosas, casacos lindos, vestidos perfeitos... um verdadeiro conto de fadas... onde, verdadeiramente, não há espaço para mim! 

Mas, nada é tão ruim que não possa melhorar. Eu encontro o meu paraíso quando entro na Marks & Spencer. Me sinto abraçada, compreendida, amparada... (rs) Talvez muitas descordem de mim, mas eu acho os produtos de lá de um excelente bom gosto. Matéria-prima de qualidade e peças bem elaboradas, cortes perfeitos e estruturação irretocável. Encontro meu tamanho em todos os modelos de saias, calças, blusas e vestidos. É uma experiência fantástica e 100% satisfatória. Só tem um detalhe: é preciso um investimento mais diferenciado. Digamos que eu necessito me preparar financeiramente para compras na M&S. O lado bom é que é possível ter a certeza de que você está comprando algo de qualidade e que vai durar muito, muito mesmo!

Eu diria que em Londres é possível vestir-se bem, mesmo estando fora dos padrões. Acredito que ainda há muito o que evoluir, e ouso dizer que no quesito moda Plus Size o Brasil está à frente. Lá, esse tema é muito mais trabalhado e existe um mercado crescente que tem faturado bastante com esse segmento. De fato, aquele tempo em que gordinhas só tinham poucas e desastrosas opções de vestimenta ficou para trás. Arrisco dizer que ainda vem muita mudança por aí, já que o tabu vem sendo cada vez mais superado. Além das opções que citei,  é possível encontrar peças legais em lojas como a TK Max, Debenhams , Next, Dorothy Perkins e muitas outras. É necessário apenas paciência para procurar nas araras, às vezes uma orientação de alguém que entenda de moda para esse segmento, e uma certa disposição para investir mais, lembrando sempre da relação custo-benefício. Vivemos numa cidade onde as pessoas não cultivam o hábito de julgar a maneira como o outro se veste. Então, estamos livres para usar não só o que é confortável, mas também o que nos faz sentir confiantes, fortes, empoderadas e o que realmente desenha nossa personalidade e caráter, afinal de contas, a roupa fala muito sobre nós.