DANTE FARIAS

DANTE FARIAS

O especialista é administrador de empresas, consultor e conselheiro empresarial, tendo atuado fortemente por mais de 15 anos no segmento industrial brasileiro e também nas áreas de consultoria no Brasil e alguns países da América do sul. Possui também pós-graduação em auditoria e controle gerencial pela Universidade Federal de Goiás, além de diversos cursos pelas mais renomadas instituições do mundo, com foco em auditoria interna operacional e gerenciamento de riscos empresariais.

 

 O papel do gestor como provedor de soluções 

Na vida pessoal e profissional, não existe nada pior que fazer planos que jamais são colocados em prática como deveriam, ainda que muito bem elaborados. Os mais comuns na vida pessoal, como voltar a praticar exercícios físicos ou se alimentar de forma mais saudável a partir da próxima segunda-feira, parecem os mais desafiadores.

No mundo dos negócios, tais planejamentos nos quais o processo de execução deixa a desejar também representam frustração, mas vão além, representam investimento de recursos, incluindo tempo e dinheiro, em objetivos jamais alcançados, normalmente por falta de um adequado modelo de gerenciamento. Ações contínuas são necessárias para que os projetos ainda no papel ganhem vida. 

Os novos modelos de gerenciamento exigem foco em estratégia de atuação e gestão de riscos, por meio de monitoramento contínuo de indicadores, os quais permitem avaliar se o projeto está sendo aplicado como esperado, identificando rapidamente problemas e também focando na agilidade das soluções. Cabe dizer que nesse modelo o gestor moderno precisa ter a capacidade de assumir erros e compartilhar com sua equipe. Um time de trabalho, hoje, tende a respeitar mais o gestor que admite quando erra. Essa postura, não muito comum pouco tempos atrás, minimiza riscos, sobretudo atualmente, quando tudo ocorre numa velocidade impressionante, inclusive os problemas. Portanto, as soluções devem ser ágeis também.

O cenário atual exige um perfil moderno e prático dos gestores em diversos aspectos, independentemente dos mercados ou segmentos em que atuam. É preciso que, em cada etapa do planejamento a ser colocado em prática, os indicadores de desempenho que serão monitorados sejam menos burocráticos e complexos, menos confusos, permitindo que todas as pessoas envolvidas entendam, e não apenas quem os elaborou, como ocorria de costume na maioria dos projetos. 

Além disso, os problemas já não são os mesmos de poucos anos atrás; dependendo do segmento, por exemplo, já não basta apenas comercializar um produto de ótima qualidade por excelente custo. É necessário também informar a origem das matérias-primas nele utilizadas, demonstrar a integridade de todos os processos, desde a produção, distribuição até comercialização, inclusive benefícios sociais a ele vinculados.

Não é coincidência que o foco das empresas, inclusive de grande porte, tem sido a busca por modelos de gestão modernos, que demonstrem transparência, ética e uma claríssima atividade de gerenciamento dos riscos em todas e quaisquer decisões. Isto não é uma preocupação recente, mas foi intensificada em decorrência de inovações tecnológicas. Por exemplo, por meio de redes sociais, uma marca pode sofrer danos irreparáveis a sua imagem em horas, não restando outra opção além de um trabalho planejado e preventivo de gerenciamento de riscos à imagem da marca e das pessoas que a representam.

 

Essa tendência impacta diretamente nos tradicionais modelos de gestão, exigindo hoje um compartilhamento contínuo dos problemas, das ideias, das ações preventivas, medidas corretivas ou de melhoria. Nesse novo modelo, já não contribui tanto aquele profissional que trabalha bem, embora isoladamente.

Esse novo modelo de gestão exige um forte trabalho em gerenciamento continuado de custos e despesas. Portanto, tudo que envolver o projeto não pode ser mais algo improdutivo para se perder tempo, energia e recursos. Deve envolver foco no processo, não mais em indivíduos. O gestor deve deixar o papel de apenas solucionar alguns problemas e passar a ser um provedor de soluções, assumindo o papel de quem estimula a identificação de causas-raiz das fragilidades e busca de forma coletiva as soluções definitivas. 

Em síntese, os modelos tradicionais deixam de enxergar, em alguns casos, problemas que ocorrem na execução de seus planejamentos, não identificando corretamente causas dos desvios e muito menos as respectivas soluções. Gerenciar todos os aspectos de um projeto permite que, ao desdobrar a estratégia de execução daquilo que foi planejado, as ações e, sobretudo, soluções sejam ágeis, garantindo efetivo envolvimento da equipe e certamente proporcionando consistentes resultados.