#Sem Regra #Sem Julgamento

Sem regras, sem julgamentos.

 

Como seria viver em um mundo sem regras? Algo sem regras me remete a um verdadeiro caos. E como seria viver em um mundo onde não existisse esta enxurrada de julgamentos pelos quais precisamos passar diariamente? Uma sensação de paz invade o meu ser ao cogitar viver meus dias sem ser julgada por ninguém. Agora, imagina se conseguíssemos atingir a perfeita harmonia entre equilibrar regras e julgamentos, de modo a favorecer nossa evolução enquanto mulheres que lutam diariamente por espaço e respeito numa sociedade culturalmente machista? Mas como? Como quebrar regras sem caos? Como ignorar julgamentos sem sofrer? Dentre muitas opções, eu destacaria a DOR.

Infeliz daquela que não consegue tornar a dor a sua maior aliada nas intempéries de uma caminhada marcada por tantos desafios. A dor dilacera. Muitas vezes (ou quase sempre) chega sem pedir licença, invade a nossa vida e por alguns momentos se torna a dona da nossa identidade. Perdemos a voz e damos espaço para que ela reine e grite. A dor grita. A dor na alma corrói a carne. Ela pode vir fazendo um grande barulho, por meio de uma doença terrível ou a perda de alguém especial. Mas ela pode vir silenciosa, pela solidão, carência, preconceito, baixa autoestima, abandono... Não importando qual via ela tomou para chegar a nós, chega devastadora, nos virando ao avesso e nos colocando no limiar da nossa mais profunda sensibilidade.

Mas, assim como muitas outras coisas na vida, a dor tem seu fim. E é quando ela vai embora que percebemos quem fomos e tudo que aprendemos enquanto caminhávamos sem força pelo seu terreno árido. A dor ensina, é mestra no processo de evolução. Só ela é capaz de falar sobre resiliência e resignação. A dor fortalece, empodera, nos torna sábias. A dor nos capacita e nos ensina sobre regras e julgamentos. A dor nos ensina a AMAR. A amar principalmente quem somos e a melhor versão que buscamos de nós mesmas diariamente. E quando ela enfim se vai, ela deixa o amor próprio, a força inabalável. A segurança de ser alguém que se ama e se respeita independentemente da cor, do peso, da opção sexual, da deficiência ou seja lá o que a sociedade possa chamar de diferente ou fora dos padrões. A gente se ama do nosso jeito. E se sente feliz na própria carne. E quando essa felicidade é genuína você percebe que nem toda regra merece seu “ibope” e, principalmente, que nenhum julgamento é capaz de destruir a mulher que você se tornou. Seja dor, para ser amor. Ame o que você vê. Valorize o que você tem. Você é única e é isso que a torna especial.

 

Marcela Ximenes

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