Resiliência por Samanta Bullock

RESILIÊNCIA

Conheça a história da atleta e modelo Samanta Bullock

“As pessoas veem a cadeira de rodas como limitante, mas ela é extremamente libertadora, porque sem ela eu não conseguiria me locomover”

De sorriso fácil, beleza genuína e uma disposição invejável em desbravar o mundo; assim é Samanta Bullock.

Gaúcha, 39 anos, ela luta diariamente pela inclusão de todas as deficiências no esporte e na moda.

Aos 14 anos de idade Samanta foi vítima de um acidente com arma de fogo e ficou paraplégica. Para a menina que jogava tênis e começava a dar os primeiros passos como modelo, isso poderia parecer um pesadelo, mas não foi isso que aconteceu.

Desde cedo foi líder de turma e capitã do time de handebol na escola, e nem o acidente parou a menina, que sempre foi apaixonada por esportes.

Aos 19 anos Samanta foi morar sozinha em Porto Alegre para cursar a faculdade de Odontologia, mas as dificuldades como o acesso ao local e a estrutura das salas de aula que não eram adaptadas a fizeram desistir do curso.

“A cadeira de rodas é um potencializador: se você já uma pessoa forte, isso te deixará ainda mais forte, principalmente para correr atrás do seus direitos dentro da sociedade; se você é uma pessoa mais fraca, a partir do momento em que você está numa cadeira de rodas vai pensar que seu mundo acabou ali.”

Começou então a trabalhar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde passou por diversas áreas e foi transferida para Brasília para trabalhar no Senado Federal, o que coincidiu com seu tratamento no Sarah Kubitcheck, onde fez toda reabilitação.

Durante o trabalho no Senado conheceu um projeto de tênis especial para deficientes físicos, começou a frequentar duas vezes por semana e de lá só saiu para competir representando o Brasil em 3 mundiais e nos jogos Paralímpicos de 2007, onde ganhou medalha de prata em dupla com Rejane Candida contra os Estados Unidos.

Em 2012, já morando na Inglaterra, participou da abertura das Paralimpíadas em Londres, onde fez uma apresentação num sway pole de 4 metros de altura com coreografia embalada por música da cantora Rhianna; mais um desafio contra a limitação foi vencido.

Com uma vida e histórias de superações por meio do esporte, hoje trabalha no Comitê Paralímpico Internacional, no programa Pround Paralympian, auxiliando no empoderamento dos atletas paralímpicos, ministrando palestras sobre os valores do esporte, transição de carreira e preparando os atletas para a vida de um desportista.

Desde que começou a jogar tênis, Samanta também começou a ser convidada para fazer fotos como modelo para patrocinadores, fábricas de cadeiras de rodas, marcas de roupas para cadeirantes, e naquele momento percebeu que poderia retomar sua carreira de modelo que tinha deixado encostada no passado.

Seu primeiro desfile depois da cadeira de rodas foi para uma marca de jeans em Goiânia, depois disso outros trabalhos começaram a surgir; já fez campanhas para grandes marcas e teve a oportunidade de desfilar em Portugal, Brasil, Espanha , Turquia e Londres.

É embaixadora do Fashion Inclusivo, um programa no Brasil que tem mais de 100 modelos deficientes, da Models of Diversity, empresa de mídias de moda e beleza voltada para qualquer tipo de beleza, e do Parallel London, o primeiro evento de corrida inclusivo do mundo.

 

Sua maior realização foi desfilar na London Fashion Week deste ano para a Designer Louise Linderoth; a coleção de jeans desenvolvida para cadeirantes fez Samanta brilhar na passarela.

“Desfilar na London Fashion Week foi a maior emoção da minha vida, eu esperei 31 anos por esse momento.”

Para o futuro, Samanta planeja um projeto voltado para moda na área de acessibilidade e continuar lutando pela acessibilidade em todas as áreas.

 Foto: Roy Ikoroha  

Instagram : @SAMABULLOCK

Facebook : @samantabullockoficial