Mulher é presa em Londres, acusada de abuso sexual infantil.

Essa é uma história que eu gostaria que não fosse verdade.

Uma daquelas histórias que enjoa o estômago, da frio na espinha e por algumas horas gostaria que o mundo parasse para que você descer.

Conheci Paula através da Dona da pré-escola que minha filha estudava.

Segundo ela teria uma garotinha na escola que era irmã gêmea de minha filha.

E realmente à semelhança era gritante, ambas de cabelinhos cacheados, falantes, inteligentes e apaixonadas pela Peppa Pig.

Paula uma  mulher linda, super simpática, gananciosa, vaidosa, BMW do ano, bolsas de valores absurdos, cabelo e maquiagem sempre impecáveis.

Era uma jovem mãe muito atraente. Confesso que era de se encher os olhos. O exemplo ideal da mãe solteira e empoderada.

Trocamos telefones, planejamos alguns encontros, mas eu com 2 crianças pequenas e grávida, acabaram-se transformando em desencontros.

Estivemos na festa de aniversário da sua filha que  também foi convidada para festas de aniversários da minha. Ambas estavam completando 4 anos naquele ano.

Paula era supridora, a menina sempre estava bem vestida, era vaidosa trazia em sua bolsinha de mão batons e  outras bugigangas que todas as meninas curtem. Uma das vezes quando o seu pai de nacionalidade Americana, foi buscá-la, lembro-me de ter ouvido ele dizer par ela: “não gostava que ela usasse maquiagem quando estivesse com ele pois era apenas uma pequena garotinha, só quando estivesse com a mamãe”

Paula mudou de casa , consequentemente mudou sua filha de nursery. Eu logo em seguida mudei de bairro. Sendo assim não mais nos encontrávamos todos os dias na saída da escolinha.

Ontem quando abri o jornal e fui impactada pela manchete.

Paula dos Reis de 28 anos, ela de nacionalidade brasileira e também possui cidadania britânica, juntamente com o seu namorado inglês Andrew Baker, foram sentenciados a 6 anos de prisão ao se declararem culpados em produzir e vender imagens e vídeos de crianças na faixa etária entre 2 a 6 anos sendo abusadas sexualmente e a enganchar crianças em atos sexuais.

A Motivação, £64.000 em dinheiro, a ambição de possuir todas as coisas da forma mais rápida possível independente dos meios.

O tribunal de Luton Crown Court, descreveu como um ato horrendo, pavoroso. Ambos tiveram seus nomes registrado como criminosos sexuais para o resto de suas vidas.

Confesso ter  perdido o chão.

Não sei dizer se sua filha foi a vítima da agressão, mas aquele rostinho com ingenuidade, belo, que lembrava muito a minha própria filha, passaram pelo raio x das minhas memórias, várias e várias vezes e no meu peito aquele aperto de acenar o coração e secar a boca.

A ideia que essa mulher de fala doce, meiga  e de aparência impecável esteve perto dos meus filhos, que provavelmente possuía fotos da minha filha em festinhas de aniversário ou programação da escolinha, me apovorou a alma.

Fico grata pelos nossos caminhos terem se separado, um sentimento confuso, poderia meus filhos terem sido vítima da crueldade elaborado pela ambição dessa pessoa.

Mas e se tivesse sido diferente?

Será que eu saberia defender meus filhos de uma monstruosidade dessa, disfarçada em uma figura em quem ao meu ver não provocou suspeita?

Vivemos em comunidade. Não conhecemos o que se passa com a cabeça de cada um. Não sabemos a medida da maldade na intenção das pessoas que transitam em nossas vidas.

Ontem eu olhava para as pessoas ao meu redor de uma forma. Hoje o meu olhar mudou radicalmente.

Somos rápidos em julgar o homem sozinho lendo o jornal sentado no parquinho infantil. Mas somos seduzíveis por aqueles que transitam diariamente indiretamente em nosso dia a dia e não ousamos questionar.

Que isso seja um acordar para nossa ingênua confiança .

Precisamos nos instruir para educar nossos filhos sobre o tema, ao falar especificamente sobre abuso sexual, é preciso usar a linguagem adequada para cada idade.

Precisamos ensinar nossas crianças a proteger o seu próprio corpinho.

Com educação apropriada, elas são muito capazes de entender o que é carinho e o que é abuso.

Conversar sobre o tema com a família é necessário e despotencializadora a culpa é ao medo ao dar acolhimento da dor da vítima.

Que sejamos perspicazes em nosso olhar. “Prudentes como a serpente. Porém simples como a pomba”.

Texto : Joana Helmsdale

Foto : DailyMail