A diversidade geracional nas empresas: um desafio para o RH

A diversidade geracional nas empresas: um desafio para o RH

*Thábata Rugai

O mundo corporativo vive um cenário cada vez mais diversificado, além da diversidade étnico-cultural, religiosa e de gênero, há a diversidade geracional, onde pessoas de diferentes idades, desenvolvem juntas, suas atividades diariamente nos ambientes de trabalho.

Jovens que estão iniciando suas carreiras com grande perspectiva inovadora e familiaridade com a tecnologia, se deparam com um grupo mais conservador e experiente, pois é sabido que com o aumento da longevidade e a diminuição da natalidade, tem sido cada vez mais frequente que nas empresas permaneçam pessoas mais idosas, é a parcela que chega a esta fase da vida com saúde física, mental e disposição para prosseguir com suas atividades laborais.

Para os mais maduros, se manter nas empresas é muito importante, não somente pela fonte de renda, mas também como manutenção de suas relações pessoais. Já para os jovens, há uma ansiedade em iniciar cada vez mais cedo suas carreiras, nascidos em um mundo digitalizado e acelerado, almejam conquistar seu espaço no mercado de trabalho.

Os principais conflitos entre as gerações estão baseados nas motivações e valores que possuem, o que motiva e o modo como pensam são divergentes entre pessoas de diferentes faixas etárias. O fato de o comportamento inovador ser intensamente tecnológico dos mais jovens - millenials, como são conhecidos, se encontrar com o perfil dos colaboradores com mais experiência e mais conservadores, podem surgir conflitos. Esses conflitos, geralmente ocorrem na medida em que os colaboradores sêniores, por já estarem acostumados a praticar suas atividades há anos num ritmo menos acelerado e com mais apego a regras e normas, acabam não aceitando os mais jovens que são mais flexíveis.

Percebo que as diferenças entre os dois grupos não se limitam no campo das tecnologias. Os líderes das gerações anteriores e liderados da geração atual, estão em diferentes sintonias quanto às questões de gênero, etnia e questões culturais, o que criam dificuldades no processo comunicacional e no estabelecimento da empatia.

O grande desafio para as empresas, mais precisamente para os gestores de recursos humanos, é mediar os conflitos e desenvolver estratégias que transformem as diferenças em oportunidades de aprendizagem mútua entre os grupos. Os jovens são iniciantes, não trazem experiência e vivência como os mais velhos, e os mais maduros, precisam estar aptos às mudanças e se inteirarem com as novas tecnologias – deveria ser, penso eu, uma troca de saberes, pois é o encontro da maturidade com a inovação.

As empresas precisam estabelecer dentro de sua política organizacional, a diversidade e a inclusão, promover o processo de integração em seu ambiente e criar ações para influenciar uma conexão entre os jovens e os idosos, pois o convívio e a relação entre pessoas de diferentes faixas etárias podem ter resultados positivos nas organizações.

O capital intelectual é um patrimônio para a empresa, é necessário valorizar o saber dos funcionários mais velhos e transformá-lo em um legado aos mais novos, da mesma forma

reconhecer que os mais jovens podem somar aos mais maduros, com seus conhecimentos e habilidades tecnológicas.

Oriento aos gestores: planejar ações que integrem e criem empatia entre os grupos; administrar a troca de conhecimentos entre eles; com relação às competências técnicas desenvolver um plano de nivelamento básico, a fim de mitigar as diferenças e aproximar o nível técnico dos funcionários; e ainda estabelecer um sistema interno de comunicação eficaz, atendendo a linguagem de todas as gerações. Pesquisas têm demonstrado, que diferentes ações de treinamento das equipes e coaching, além de trazer diversos benefícios, podem combater qualquer tipo de preconceito.

O importante é que através da soma dos conhecimentos e experiências, munido de um bom planejamento, o melhor de todas as gerações seja bem aproveitado nas empresas.

Thábata Rugai é Mestre em Políticas Públicas, Pesquisadora e Docente de Graduação e Pós graduação nas áreas de Logística, Gestão Humana e Administração, na Faculdade de Tecnologia (FATEC) e Universidade Mogi das Cruzes, há mais de quinze anos fomentando pesquisas e publicações em diversas áreas do conhecimento.

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