O fascinante sistema auditivo – Artigo 1

O fascinante sistema auditivo – Artigo 1

Nossas 3 orelhas

 

Renée Rassasse

Fonoaudióloga 



O sistema auditivo é simplesmente fascinante, e também bem complexo, composto de três partes até que, no cérebro, o som seja processado. Vamos falar um pouco como o sistema auditivo funciona. 

 

Logo depois que eu me formei, em 1993, a terminologia foi modificada e, hoje em dia, ouvido externo, médio e interno são chamados de orelha externa, média e interna. Escreverei aqui no singular, para que seja mais bem ilustrado, mas leiam no plural, pois temos duas orelhas por uma boa causa.


A orelha externa é composta pelo pavilhão auricular, canal auditivo e tímpano.
A orelha média é uma cavidade onde os três menores ossos do corpo humano (o martelo, o estribo e a bigorna) se situam e também onde está a tuba auditiva que conecta com o nariz e a garganta. A orelha interna é composta pela cóclea e seus canais semicirculares, órgão que também é responsável pelo nosso equilíbrio.


 

Perdas auditivas podem ser temporárias ou permanentes e classificadas por tipo e grau de severidade.

Ao testarmos a audição, sequências de som variadas são apresentadas. Uma pessoa pode ter, por exemplo, uma perda neurossensorial leve nas frequências graves progredindo para severa nas frequências agudas, ou uma perda condutiva moderada em todas as frequências testadas. As variações são imensas! 

Vamos por partes, então? O que pode dar errado em cada estrutura e como remediar o problema? Nesta edição, como disse antes, focaremos na orelha externa.


A orelha coleta o som e nos ajuda a localizar a fonte sonora. Pessoas portadoras de algumas síndromes genéticas nascem sem a orelha e/ou com o canal auditivo fechado, mas têm a orelha média e interna preservadas. Há também casos de câncer de pele, infecções graves ou acidentes em que a orelha pode acabar sendo destruída.


Nesses casos, aparelhos auditivos de transmissão óssea são usados diretamente na mastoide, que é o osso atrás da orelha. Hoje em dia, muito mais comum do que os aparelhos são os implantes de orelha média, sendo o BAHA – bone anchored hearing aid – o mais usado.

Ainda na orelha externa, mas já no canal auditivo, muito mais coisas podem acontecer para deter a condução do som.  Acúmulo excessivo de cera é a causa mais comum de perda auditiva temporária.


Aqui na Inglaterra nós ouvimos muito falar que dentro das orelhas só devemos colocar os cotovelos!! Ou seja, nada, a não ser que você seja um contorcionista.

Hastes flexíveis (o famoso cotonete) só empurram o cerúmen para dentro do canal. A sujeira que sai no algodão é, geralmente, só uma parte e o restante vai se acumulando e ficando endurecida.


O uso prolongado de fones de ouvidos e até mesmo de celular também faz com que suemos mais, estimulando ainda mais a produção de cera. Deixar a orelha “respirar” é uma maneira de evitar cera impactada.

 

AQUI PODERIA IR UMA IMAGEN DE ALGUEM USANDO UM PHONE DE OUVIDO?

Ainda sobre os fones de ouvidos: você já parou para pensar na quantidade de bactérias que eles têm? Eles vão dentro da bolsa, no bolso da calça, na mesinha de cabeceira, no chão, nas orelhas de outras pessoas e de volta nas suas orelhas! Agora visualize essas bactérias entrando em um canal auditivo que tenha um pequeno arranhão que seja, ou que tenha cera velha e impactada lá no fundo do canal, onde é quente, úmido e escuro. As bactérias amam esse ambiente!!


Cera impactada e/ou infecção no canal auditivo podem causar uma perda de audição temporária. Uma vez que a cera tenha sido removida e a infecção tratada, a audição retorna ao nível em que estava antes (notem que para quem já tem perda auditiva permanente, ela piora ainda mais, até que o problema com a cera ou infecção tenha sido resolvido).

 

Na foto acima eu estou removendo cera usando E-Microsuction, onde um iPod é acoplado a um endoscópio e todo o procedimento é guiado para a segurança do paciente.

Infecções bacterianas no canal auditivo, conhecidas como Otite Externa, podem ser causadas por negligência, como no caso de uso de fones de ouvidos e aparelhos auditivos sujos, ou por inserir objetos pontudos dentro da orelha (problemas evitáveis), mas também podem ocorrer devido a tratamento de radioterapia, irritações provenientes de eczema, de alergias, asma, baixa no sistema imunológico, uso de anticoagulantes e fungos.

Existe um certo mito sobre água dentro do canal auditivo. Ouço muita gente dizendo que depois de nadar a água ficou lá dentro do canal por dias. Na realidade, a água se evapora depois de uma boa noite de sono. A temperatura do nosso corpo se eleva quando dormimos, e com isso ocorre a evaporação da água. O que pode acontecer, entretanto, é que quando há acúmulo de cera, essa se expande ou se mexe, dando a sensação de que o canal está tapado ou molhado.

É sempre bom evitar água, sabão e xampu dentro das orelhas, pois podem irritar a pele, que, se estiver irritada, fica mais vulnerável à otite externa. Nos meus 25 anos de clínica já vi muita gente que acabou com infecção ou até perfurou os tímpanos por conta do uso indevido de hastes flexíveis, grampos de cabelo e até palito de dente. Dependendo da área e do tamanho da perfuração, o tímpano se autorrepara, mas às vezes uma timpanoplastia se faz necessária, com possíveis  danos permanentes à audição.

E assim chegamos na membrana timpânica onde termina a orelha externa. Na próxima edição continuarei com a jornada dos sons, seguindo pelas orelhas média e interna e os possíveis problemas nessas regiões que nos impeçam de desfrutar desse sentido tão precioso.

Em uma outra oportunidade falarei também sobre zumbido e problemas com o equilíbrio. Se quiser, mande suas sugestões para os artigos subsequentes.

Até a próxima e bons sons!

Fontes: 

https://blog.audiumbrasil.com.br/como-funciona-a-audicao-humana/

 

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